No
Shopping. Numa vespertina atmosfera semanal, uma jovem de olhar vago
e triste tomava um chopp e jantava. Esta não era uma atitude
corriqueira e, sim, uma tentativa de resgate para afastar o fantasma
do que lhe entorpecia por suas desventuras.
Ambiente
abarrotado de pessoas. Observo e deixo minha intuição guiar meus
passos.
- Olá!
Posso me sentar aqui? - Pergunto.
- Claro.
- Retruca a jovem cabisbaixa.
Passa
um tempo e percebo um olhar que já vira em rostos notórios.
- Há
algum problema? Tá tudo bem? - Indago a jovem de olhar perdido.
- Claro.
Tudo bem. - responde ela fugazmente com uma afirmativa para
esquivar-se do que lhe aflige. Logo, seguida do crédito do
desabafo, ela compartilha suas experiências comigo.
Srta N,
aos seus 22 anos, já vivera relacionamentos nada promissores no que
diz respeito a ânsia feminina.
Em
princípio, classificando-se nos seguintes sujeitos:
Sujeito A - Alguém que acredita que na base da mentira era uma
verdade indubitável de quem ele é.
Sujeito B - Alguém que só veio a passeio ao mundo pensando que
mulher é parque de diversão.
Sujeito C - Alguém que acredita que na relação seu umbigo era
mais importante, tornando irrelevante os anseios de sua companheira.
Nossa
sobrevivente, já cansada, chutou o “pau da barraca” e decidiu
tirar um tempo para si. Assim como os monges, ela resignou-se em
meditar sua jornada.
- Eu
tenho pena dele por está sem mim. E tenho pena de mim por ainda
pensar nele. - citou a jovem este pertinaz pensamento que a faz
refletir nos seus dias decorrentes.
- Ele
foi quem perdeu! - Veementemente repete para si.
Srta N
é uma jovem destemida e admirável, pois, mesmo sedada com as
desilusões que carrega do caos de sua vida, que advém das decepções
e mentiras dos que a cercam, ela sabe quem é e o que quer, só lhe
restando a dúvida se algum dia haverá alguém que não seja apático
para reconhecê-la em seu valor. Por enquanto, ela pediu demissão ao
amor e dispensou as pessoas vis. Mas uma coisa é certa, mesmo que na
atual conjuntura de sua maturidade, ela aprenderá que a vida só
começa quando achamos que é o fim. E seu maior desafio é ser menos intransigente com o universo do outro mantendo uma postura análoga ao
seu próprio.
INTRÍNSECO
Por Rosângela Reis