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30 março, 2017

Carta Srta M - Retrospectiva de um Fim...




Fazendo uma retrospectiva do que foi esse ano
Cheguei em algumas conclusões:
Perdi pessoas
Achando que não viveria sem,
Ganhei pessoas
Que nunca imaginei que entrariam em minha vida.
Ri até chorar
E chorei como se não fosse mais rir.
Amei e desamei.
Fui decepcionada,
Mas, também decepcionei.
Sonhei alto e cai muito
Machuquei e me levantei.
Senti saudades.
Deixei saudades.
Disse coisas
Que não deveria ter dito.
Calei
Quando deveria ter falado.
Chorei, ah! Como chorei.
Mas também fiz pessoas chorarem.
Brinquei, briguei e me arrependi.
Guardei coisas boas
E deixei coisas importantes passar.
Algumas vezes fui feliz,
Outras vezes, triste.
Me arrependi
De coisas que disse
E, novamente, xinguei, briguei e, então, perdoei.
Errei querendo acertar.
Acreditei
Em “para sempre”, “eu te amo”, “conte comigo”
Aí, chorei mais ainda.
Agora é esperar que a vida continue
Com algumas lágrimas aqui ou ali,

Mas que continue...



INTRÍNSECO
Por Rosângela Reis  



Desventuras De Uma Jovem




No Shopping. Numa vespertina atmosfera semanal, uma jovem de olhar vago e triste tomava um chopp e jantava. Esta não era uma atitude corriqueira e, sim, uma tentativa de resgate para afastar o fantasma do que lhe entorpecia por suas desventuras.

Ambiente abarrotado de pessoas. Observo e deixo minha intuição guiar meus passos.

       - Olá! Posso me sentar aqui? - Pergunto.

       - Claro. - Retruca a jovem cabisbaixa.

Passa um tempo e percebo um olhar que já vira em rostos notórios.

       - Há algum problema? Tá tudo bem? - Indago a jovem de olhar perdido.

     - Claro. Tudo bem. - responde ela fugazmente com uma afirmativa para esquivar-se do que lhe aflige. Logo, seguida do crédito do desabafo, ela compartilha suas experiências comigo.

Srta N, aos seus 22 anos, já vivera relacionamentos nada promissores no que diz respeito a ânsia feminina.

Em princípio, classificando-se nos seguintes sujeitos:

Sujeito A - Alguém que acredita que na base da mentira era uma verdade indubitável de quem ele é.

Sujeito B - Alguém que só veio a passeio ao mundo pensando que mulher é parque de diversão.

Sujeito C - Alguém que acredita que na relação seu umbigo era mais importante, tornando irrelevante os anseios de sua companheira.

Nossa sobrevivente, já cansada, chutou o “pau da barraca” e decidiu tirar um tempo para si. Assim como os monges, ela resignou-se em meditar sua jornada.

      - Eu tenho pena dele por está sem mim. E tenho pena de mim por ainda pensar nele. - citou a jovem este pertinaz pensamento que a faz refletir nos seus dias decorrentes.

        - Ele foi quem perdeu! - Veementemente repete para si.

Srta N é uma jovem destemida e admirável, pois, mesmo sedada com as desilusões que carrega do caos de sua vida, que advém das decepções e mentiras dos que a cercam, ela sabe quem é e o que quer, só lhe restando a dúvida se algum dia haverá alguém que não seja apático para reconhecê-la em seu valor. Por enquanto, ela pediu demissão ao amor e dispensou as pessoas vis. Mas uma coisa é certa, mesmo que na atual conjuntura de sua maturidade, ela aprenderá que a vida só começa quando achamos que é o fim. E seu maior desafio é ser menos intransigente com o universo do outro mantendo uma postura análoga ao seu próprio. 


INTRÍNSECO 
Por Rosângela Reis


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Autora: Rosângela Reis
Fonte: http://versoreversolivros.blogspot.com

Agradeço a apreciação.