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07 agosto, 2016

VITRAL

E a vida?
Quantas vidas!
Viver na vida vívida
Viver no sofrimento vivido
Viver na alegria visita
À vista das vertentes que te valem
No vasto mundo que te invade.
Vivo virtuoso!
Ouvindo vozes que voam, vago
Como viajante
Vislumbrado
Sem visto
Sem veículo
Só vindo e indo
Nos vales verdejantes
Com a vontade e a vivacidade
De um vivente
De uma vida vigente.
Vejo vasta vida
Veemente válida
E na vitória vindoura
Que vibro por vezes
A ventura de viver
Do ventre valioso
Que veste minha vista
À volúpia veraz de vida.
“Vim, vi, venci.”




RELICÁRIO DE SAFIRA 
Por Rosângela Reis

VIAGENS & PASSAGENS


A humanidade que sopra o mundo
E toma forma ladrilhos
Ovaciona leis e líderes
Na vastidão de suas ilusões.
Devaneios e luta
Viventes, sobreviventes
No coração marcado
No corpo mazelado.
E o discurso obsoleto
Incursionando gente
Voando livre!
Seja aonde for
A liberdade não tem vista
Em vitórias ou conquistas
A morte é a saída.
Todos perecemos
Onde vivemos ou nascemos
Perecemos
E, talvez, estejamos mais vivos
Dialeticamente, vivemos e morremos
Na transitoriedade do infinito
Até chegarmos ao limite de nossos
Próprios pensamentos
Incomensuravelmente motriciados.




RELICÁRIO DE SAFIRA 
Por Rosângela Reis



VERSINHOS

Aspargos à mesa
A vela veleja
No mar que mareia
Num vento venturoso

E o cego que avista
Além do ar rarefica
A forma ferida
De um ser sério

Na neblina nebulosa
Na galáxia láctea
No sorvete verde
No retrato com trato

Sede bela Della
Única uva da vinha
Sentinela sela
Em diversas vias



RELICÁRIO DE SAFIRA 
Por Rosângela Reis

TÃO PERTO, TÃO DISTANTE

Tão perto, tão distante
Quão valiosa é a lembrança de uma felicidade
Como um toque de mágica
Tudo se transforma
Uma quimera num mundo
Além...
Uma emoção inefável
Uma alegria que perdura
Junto a uma tristeza
Disfarçada por um semblante inabalável
Que almeja com tanto fulgor
Uma recepção que acalente
A alma
Tão perto, tão distante
Sorrisos, abraços afáveis
Daqueles que amam,
Que esperam,
Que nunca esquecem
Daqueles que indagam
Tão perto, tão distante
A partida injustificada!
Não sabem que todos
Renunciamos
E que isso faz parte
Das muralhas que nos distancia.
A beleza dos gestos
Das palavras
São doces manjares
Fortes para um coração
Que cheio de vida
E com sua luz de esperança,
Ainda assim, esta fugia-lhe pelas mãos.
Bem-aventurada é a felicidade
Que renasce de uma faísca de sonho natalino
Que a vida aponta para seguir.




RELICÁRIO DE SAFIRA 
Por Rosângela Reis

Super EGO

Uma força extensa ao além
Uma energia ecoante que permeia o horizonte
Mas quando quebrado fico tão pequeno
Que caibo num buraco de minhoca.



RELICÁRIO DE SAFIRA 
Por Rosângela Reis

SEUS OLHOS

Em meus devaneios
Posso vê-los
Em minha alegria
Posso senti-los
E quando pairam sobre mim
Intimidam-me
Poderia perder-me neles
Não querendo me encontrar
E no crepúsculo de seus olhos
Inebrio-me ao pensar
Quanto mistério na candura desse olhar
Junto à paz que me trazem
Repousaria por todos os séculos
Apenas pela magia que me despertam.




RELICÁRIO DE SAFIRA 
Por Rosângela Reis

SEGUINDO UM RITMO

Hoje vejo o sol em meu coração
Queima como lava
Insuportável
Aparentemente, agora é pedra
Todo o sentimento veraz.
Definharam-se as nuances
Do baile do viver.
Às vezes, sinto algo,
Sensação tácita,
Sentimentos dúbios,
Receios, indiferença, …
Quantos passam?
E, então, pergunto-me
Será que sou feliz?
Creio que sim. Talvez.
Aprendi a aprender viver assim!




RELICÁRIO DE SAFIRA 
Por Rosângela Reis

RECIPROCIDADE


Em tudo na vida ela está
Vista no esmero da nobreza humana
No pensamento mutável
Na inconstância à revelia
Assim é a reciprocidade
Que vive nas cidades
Com leis de veracidade
Diluída pela motricidade
Que age e recebe com velocidade
Do que pensamos viver realidade.
E o que deveras é verdade?
A ânsia da vida,
A justificativa da cobiça,
A beleza em primazia
E demais fundamentos de vaidade humana
Que não contesta consequências vorazes de
Reciprocidade
Por outro lado, constroem na afinidade
Um bem comum de sociedade
Em vitaliciedade
O império de todas as forças naturais
Seja no bem ou no mal
A reciprocidade.




RELICÁRIO DE SAFIRA 
Por Rosângela Reis

QUEM SOU EU


E no mundo das ideias
Afogo-me em delírios
Por todas as coisas que contemplo
Quão maravilhosas as criações!
Por todas as coisas que vivo,
Respiro...
São meu espírito vaga
Metodicamente, meu corpo caminha
Àqueles que contra passam por mim.
À vista de bucólica paisagem
Sou parte interativa
Sou ar,
Sou mar,
Sou luz,
Sou terra,
Sou EU
Quem sou eu?
Senão, aquela que por ser intrínseca
Exterioriza toda a beleza do mundo
Aquela que conserva
Ou que, aparentemente, destrói
Para transformar a vida
Quem sou eu?
Vivendo vívida nos sentimentos inefáveis
No olhar marcante da senhora
Nas cores inebriantes do crepúsculo
Ou cores turvas das pérolas do mar profundo
Quem sou eu?
Senão aquela que hipnotiza
E te faz viajar no imaginário mundo dos sonhos
Sou eu
Pelas tantas vezes que te fotografei
Como única e indubitável
Dentre todas as maravilhas
Sou a bela e cristalina
Figura do espaço vital
Sou a Arte da Criação.




RELICÁRIO DE SAFIRA 
Por Rosângela Reis

PONTO QUIMÉRICO

Eu não sou só isso!
E, ainda assim, isso quem sou
É um grandioso presente mesurado de Deus.
Minha extensão é expansiva
No universo incomensurável
Como parte de um todo
E ínfima do Amor Divino.
Sinto-me presa em uma matéria caótica
Num mundo psicodelicamente ilusório
E que no mundo dos sonhos
Impera uma realidade mais reconfortante
Equilibrada. Apaziguada pela serenidade
Em contrapartida,
Meus olhos quando se abrem
Só BALBÚRDIA!




RELICÁRIO DE SAFIRA 
Por Rosângela Reis

PESSOAS

Aonde vão?
Transeuntes que passam
Nesta rua corriqueira das pinturas
Dos rostos, dos gestos
Notórias conversas
Adornadas de costumes
Algo tão peculiar e tão comum
Entre aqueles simpáticos semblantes.

Estão tão próximas pela cumplicidade
E tão longínquas nos pensamentos
Devaneios que não lhes permite
Observar a profundidade de outras
Senão, as de si mesmas.

No âmago de seu universo
Tentam compreender o espaço
Das vidas efêmeras na sua complexidade
Imutáveis em sua busca
Das indagações, dos mistérios
Daqueles que passam na rua estreita
Na avenida dos descobrimentos.

Tocam-se nos milésimos de segundos
De sua pressa
Sem perceber a ventura de conhecer
O cumprimento harmônico do encontro

De tudo que passa
As pessoas passam, passam, passam
E bem-aventurados são aqueles
Que reconhecem no outro o amor de nosso PAI.




RELICÁRIO DE SAFIRA 
Por Rosângela Reis

O SONHO

Era um belo casulo
De um branco lã ou algodão-doce.
Surpreendentemente pequeno
Que o simples pensamento
De guarda sobre algo ali
Era curioso.
E num extasiante momento
Tudo emergia
Ao vislumbre de uma sinuosa borboleta
Em seu voo majestoso.

Abaixo uma barata
Com a cabeça esmiuçada
Se esvaía pelos fundos do casulo
Resvalando-se
Avessa ao advento
Do novo,
Da ideia
Que começara a ganhar asas
Deixando para trás o opressor,
A mácula estagnadora,
Do inexorável processo transformador.




RELICÁRIO DE SAFIRA 
Por Rosângela Reis

O LUTO DO DIA

Hoje o dia levantou-se em prantos.
Observando-o da minha janela
Soluçava esperando afago.
Subitamente,
Suas lágrimas aumentavam.
E num espanto,
Ele olhava-me com lágrimas de sangue.
Outrora, suas lágrimas eram visitas de alegria
Agora assolavam-me com tal tristeza.
Hoje eu estou em luto.
Hoje nos encontramos.
Talvez ele soubesse a minha tristeza.
Eu já a sua sabia.
Compadeci-me de sua dor.
Algo e/ou alguém estou perdendo
Ou, talvez, esteja ganhando
Só sinto a falta(...)!?
Eu deveria estar bem
Todavia, perdura o torpor
Um corpo sem anima
Num véu cinza.




RELICÁRIO DE SAFIRA 
Por Rosângela Reis

O ENCONTRO

Passam-se os dias e, ainda, penso no meu amado.
Sua partida gelou meu âmago.
Estava cheia de pensamentos dúbios
Que minha alma aflita
Não mais se encontrava.
Outrora, perdurara a ventura
De momentos de alguém.
Um semblante apático
Mas que observara ao longe
Uma visão terna
Ansiosa de tanta busca.
O orvalho fizera confetes
Ao encontro veraz de duas vidas.



RELICÁRIO DE SAFIRA 
Por Rosângela Reis

O BAILE DA VIDA

A vida é fascinante!
Tal qual alevinos
Por uma luta
Incessante

Almejando as águas
Calmas e fortalecedoras
Aos seus corpos frágeis
Belos

Uma quimera marinha
Que torna vivaz
O pensamento mais confuso

Logrando a alegria da chegada
Resplandece o divino espetáculo
Do desafio superado

E até mesmo na incerteza
A luz é virtuosa
Aos olhos do ser

Que avista e contempla.




RELICÁRIO DE SAFIRA 
Por Rosângela Reis

MORIBUNDA DO DESTINO

Minha vida se esvaiu.
Vida que me tornava efusivamente vívida.
E agora sou um fantasma de mim mesma.
Vagando em sombras que me acorrentam em um lugar inóspito.
Lugar apropriado para minha condição.



RELICÁRIO DE SAFIRA 
Por Rosângela Reis

MONÓLOGO DE UM VIAJANTE

Sou um diamante raro
Que não tem sua origem
Neste mundo
Venho de outros mundos
Pertenço a muitos mundos
E estou de passagem
Passeando na corda bamba
Da linha do infinito.
No espaço livre
Sem teto
Sem chão
Então,
Sem preocupação.
Pois, o universo é seguro
No inverso da minha fragilidade
E no reverso de minha fortaleza.
As paredes são cognatas
Incógnitas ilusões dos meus pensamentos.
Leitura animada
De um universo à parte
De muitas probabilidades.
De portas brancas
De início
De portas negras
De fim.
Um ciclo.
Um círculo.
Interminável
Inevitável
Inexorável
Infinitamente amável.
Um amor vívido
Um amor lancinante
E uma alegria que ruboriza
Mas, prisioneira
De uma tristeza leviana
Em momento ínfimo
Perante a grandeza do Eterno.




RELICÁRIO DE SAFIRA 
Por Rosângela Reis

MISTÉRIOS

Chuvas de verão,
Recordações de um passado esquecido,
Das venturas que perduram
No pensamento vago
Que num esforço confunde
Inerte na memória.
Quais leis regem o universo
E não encontram
À vista do horizonte
Que mergulha a noite
Dos falantes, pensantes
E todos os antes
Dos que procuram as respostas.
Nos versos da canção
Que acalma corações
A música no ar
Que respiramos
Que não compreende as ações
Não questionamos
Somente passamos
De uma vida
Que o sol reaviva
Então, sabemos algo(...)
Aqui o mistério das virtudes
Alimento indispensável
Da fortaleza humana
De todo o conhecimento que cremos saber
E, então, o fim
Do que observamos
O nascimento transcendental do universo
Na perspectiva humana: A vida.




RELICÁRIO DE SAFIRA 
Por Rosângela Reis

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Autora: Rosângela Reis
Fonte: http://versoreversolivros.blogspot.com

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