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18 dezembro, 2016

EU, DOIS


Eu sinto o que aparentemente é inóspito
Além das estrelas do teu universo
Sou explosão dos teus mais profundos segredos
Expressão do teu SER obsoleto.
Tu reprimes a mim nesta prisão sem muros
Dizes que tenho liberdade!
Mas meu clamor,
Meu pranto
São risos para te guiar.
Crês que sou frágil
Porque assim deixo-te pensar
Todavia, se não fosse tua EMOÇÃO
Serias só.
Para quem viver
Senão, para alguém que possas ser tu mesma?
Apesar de minhas contestações
Pensas que levo tudo ao vento...
Sou tua maior admiradora!
Ouço-te com atenção
Mesmo sendo esta criança
Sou tanto quanto a ti,
Tua irmã
Então, deixe-me viver
E continue caminhando comigo.

Eu vejo o que não contestas
Na proximidade da geometria,
Matemática, filosofia
Metodicamente apresento-te a vida
Para que no sofrimento
Compreendas minha guarda.
Crês que sou austera?
Faço o melhor de mim
Porque amo-te desta forma
Trigonométrica, métrica...
Vivo pelo teu bem
Para ti todas as minhas atenções
Com mesura cuido do teu caminhar
Sou concisa para te mostrar
O que necessitas para saber?
És teimosa como eu
Por isso, encorajo-te para seguir.
Replico quando deves ouvir
E assim mesmo sinto tua falta
Pois, sou tanto quanto a ti,
Uma criança
Contudo, orgulhosa demais para admitir.
Analiso, argumento, raciocino
E a lógica é minha lei
Minha morada
Que derrubas como um castelo de cartas.
Tuas peripécias irritam-me e confundem
Mas sou a única que te compreende
Assim, me terás sempre ao teu lado
Pois, sou tua RAZÃO de viver.



RELICÁRIO DE SAFIRA 
Por Rosângela Reis

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Autora: Rosângela Reis
Fonte: http://versoreversolivros.blogspot.com

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