Era um dia aprazível em um lugar verdejante.
Crianças brincavam e sorriam.
Era tudo muito vívido e colorido.
De repente, algo chamou-me a atenção. Abaixo de uma elevação coberta de natureza, havia uma pequena entrada, um buraco escuro e misterioso.
Pedi às crianças que continuassem a brincar, enquanto, afastava-me em direção àquela singularidade.
Adentrei. Havia penumbra. Era uma grande caverna por dentro, um santuário de uma enorme e majestosa serpente - lembrava-me dragões orientais.
Imaginei que o medo me tomaria. Contrariamente, estava tomada pela curiosidade daquele lugar, daquela criatura luminescente e translúcida como água-viva.
Ela percebera minha presença e, talvez esperando uma reação, um movimento, apenas observava-me. Havia essa recíproca ação. Éramos dois seres distintos com nossas energias em sinergia.
Ela se aproximou, enquanto, nossos olhos fitavam-se em cumprimento. Abocanhou-me cuidadosamente. E guardou-me em seu ser, protegendo-me, energizando-me, fortalecendo-me em um período necessário.
INTRÍNSECO
Por Rosângela Reis
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